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domingo, 30 de março de 2025

Circo social ganha destaque na 27ª edição do Palco Giratório do Sesc

Escola Pernambucana de Circo será celebrada em programação itinerante

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A 27ª edição do projeto Palco Giratório, realizado pelo SESC, promete homenagear a arte circense em 2025 ao som do Movimento Manguebeat. Anunciada nesta quinta-feira (27), Dia Mundial do Circo, a programação vai celebrar o trabalho da Escola Pernambucana de Circo e também a atriz, pesquisadora e dramaturga pernambucana Fátima Pontes, produtora do “Circo Science – Do mangue ao picadeiro”. Circo social ganha destaque na 27ª edição do Palco Giratório do SescCirco social ganha destaque na 27ª edição do Palco Giratório do Sesc

O circuito começa em abril e vai passar por 96 cidades de 23 estados brasileiros, com apresentações de 16 grupos, que têm origem em 15 unidades da federação. Além de circo, estão incluídos teatro, dança e música. Ao todo serão 336 apresentações até dezembro deste ano, com entrada grátis.

A junção do ritmo de Chico Science com a arte circense vai dar início à programação itinerante e será apresentada pela Trupe Circus (PE), da Escola Pernambucana de Circo. Os números circenses e as coreografias do espetáculo contam com trilha musical baseada em grandes sucessos do cantor e compositor pernambucano, que foi um dos criadores do influente Movimento Manguebeat.

A dramaturga Fátima Pontes contou em entrevista à Agência Brasil que a participação no projeto vai trazer visibilidade nacional ao trabalho, que já é conhecido em Pernambuco e em outros estados do nordeste.

“Para a Escola, é a representação do reconhecimento do trabalho que a gente faz no campo da arte circense, desde 2002, através da nossa Trupe Circus, que é o grupo profissional da nossa instituição”

Na visão da pesquisadora, o Movimento Manguebeat se tornou um ícone de transformação da cultura pop no Brasil, e Chico Scince era a cabeça disso tudo.

“Foi um meteoro que chegou, revolucionou tudo e foi embora. A gente usa, no início do espetáculo, algumas frases, em manuscrito mesmo, do acervo da família de Chico Scince com estudos e memória dele. Tem uma que diz ‘morreu por viver demais’. Parece meio presságio, meio profético”, disse, reforçando que o artista teve uma vida curta e mesmo assim teve participação importante na cultura do país. ele morreu aos 30 anos, em 1997.

Fátima Pontes destacou que o circo se desenvolve no campo artístico, mas também técnico, porque necessita de treinamentos específicos e contínuos, com aparelhos e equipamentos. Nesse espetáculo, por exemplo, o grupo utiliza uma estrutura de ferro, que é um equipamento construído especificamente para ele. O mesmo ocorreu em outros espetáculos do repertório do Trupe Circus.

“Sempre temos feito essa pesquisa por novos equipamentos, novas técnicas e números circenses. Este espetáculo Circo Science traz um tipo de culminância de um processo que a gente vem fazendo há muitos anos, de pesquisa no campo técnico, estético e artístico; e de valorização, também, da nossa diversidade cultural, que é a forma como trabalhamos. Todos os nossos espetáculos da Trupe Circus têm esse viés de valorização da diversidade cultural pernambucana, nordestina e brasileira. Temos uma estética muito própria”, comentou.

Fátima Pontes destaca que Circo Scince é também um manifesto da Escola Pernambucana de Circo e da Trupe Circus com seus integrantes, que são jovens artistas que se formaram na escola desde crianças. O grupo inclui jovens periféricos, negros e negras, pertencentes à comunidade LGBTQIAP+ e também homens e mulheres cisgênero.

“É também manifesto da nossa resistência, do nosso trabalho com a arte circense, que é tão marginalizada em nosso país. É também uma forma de a gente mostrar que é possível viver da arte circense”, afirmou, informando que a Escola é uma ONG que se sustenta em parte por meio de editais, de aluguel da sede para eventos e de projetos de manutenção da estrutura de funcionamento.

Circo social

A diretora de projetos sociais do Sesc, Janaína Cunha, descreveu o Palco Giratório como grande projeto de circulação de artes cênicas do Brasil, com a sua programação renovada anualmente. Ela destacou que o país tem diversas companhias circenses, desde as mais tradicionais até as mais tecnológicas, todas com a missão de renovar a linguagem sem abrir mão da tradição, o que é relevante para se pensar a cultura no Brasil.

“O nosso enfoque nesta edição do Palco Giratório é o circo social, que é um circo que interage socialmente, promove relações intergeracionais e conexões entre linguagens. A gente está falando de circo, mas também de música, de dança, de teatro. Enfim, o circo tem essa capacidade de congregar vários esforços no sentido do amadurecimento da produção artística”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.

Para Janaína Cunha, outro fator relevante do Palco Giratório é a atração de público. “Chama muito público no país inteiro, porque, de fato, é um festival de artes cênicas que traz artistas e espetáculos de todo o Brasil, promovendo a circulação desses grupos em todo o país. Como já é uma tradição, o Palco Giratório mobiliza público, tem sido capaz de renovar o público e de chamar atenção do público para importância da fruição e da circulação artística”, pontuou.

Fomento à arte

Os grupos que farão parte do projeto foram escolhidos após uma indicação dos representantes do Sesc nos estados onde desenvolvem seus trabalhos artísticos. As indicações são apresentadas ao coletivo da curadoria, que faz a seleção com base em critérios técnicos, de renovação de linguagem.

“O Sesc contrata todos os artistas. É por isso que o Palco Giratório, além de um grande projeto de formação de público e de preservação da circulação artística, é também grande fomentador das artes cênicas, na medida em que contrata esses artistas e proporciona a eles todas as condições para a boa execução dos seus trabalhos”, contou, revelando que, em 2018, também houve uma edição dedicada ao circo a partir de Belo Horizonte, em Minas Gerais, mas com outros grupos e com recorte diferente.

“Neste ano, a gente está realmente dando ênfase ao circo social, e a essa relação social que é promovida pelo circo desde os seus hábitos culturais de famílias circenses até a integração social que o circo promove”.

A diretora disse que o trabalho realizado pela Escola Pernambucana de Circo coincide com a proposta do Palco Giratório de promover transformação social dando visibilidade a grupos locais.

“É um prazer imenso ter oportunidade de trabalhar com ela [Fátima Pontes] e com o grupo dela. Isso traz uma vivência e informação de artistas oriundos de periferia, que se relacionam em projetos sociais para a construção de uma realidade social a partir das artes e de uma transformação social.

Janaína Cunha elogiou que Fátima é uma representante do papel que a arte tem para se pensar uma sociedade mais justa, mais inclusiva e mais cooperativa. Para ela, um dos pontos fortes do projeto Palco Giratório é fazer com que produções, trabalhos e articulações que estão em nível local e que a gente consigam atingir uma dimensão nacional.

“A gente tem uma quantidade importante de grupos que não têm oportunidade de circular para além do seu território, das suas fronteiras, do seu município, ou do seu estado. Muitas vezes, não conseguem nem ir a um estado vizinho. Promover esta circulação é de fato fundamental para que o Brasil conheça o que o Brasil produz, e não apenas para que cada estado conheça a sua produção regional, que também é importante. É fundamental a gente oportunizar essa circulação”, concluiu.

Fonte: Cristina Índio do Brasil – Agência Brasil
Edição: Vinicius Lisboa

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